Virada Organizada: transformação de ambientes e vidas em 24h

Como na TV, projeto voluntário de organizadoras profissionais repagina ambientes para pessoas que perderam o rumo da vida depois que a bagunça se instalou

 

Novembro de 2016 – O conceito altamente disseminado nos eventos que valorizam o acesso ininterrupto aos mais diversos temas, como cultura, empreendedorismo, esporte ou sustentabilidade, inspirou as organizadoras profissionais Naila Broisler e Talita Melo a criarem a Virada Organizada, projeto voluntário e itinerante que transforma ambientes a partir das ferramentas de organização, decoração e ressignificação criativa de objetos. Tudo em 24 horas.

Queremos ouvir histórias de pessoas afetadas pela desordem e mostrar que organização e decoração são ferramentas de qualidade de vida e bem-estar, requerem esforço e método, mas, qualquer pessoa pode aprender e aplicar. É uma forma de democratizar o acesso e mostrar que não vivemos só para dobras ou closets coloridos e perfeitos”, afirmam as autoras.

 

A profissão – Em meados de 2005 o Brasil passou a conhecer a profissão Personal Organizer, que tem formação livre atualmente. Estes profissionais ajudam pessoas que não tem tempo ou habilidade para lidar com a desordem que se instalou em suas vidas, pelos mais diversos motivos, aplicando técnicas personalizadas. Além de organizar ambientes, estes profissionais podem se especializar em organizar documentos, mudanças, arquivos digitais, fotografias e as mais diversas áreas onde a bagunça possa aparecer. 

No entanto, ao passo que há espaço para inovar nesta profissão, a independência também traz variações quanto a precificação, a abrangência de atuação e os limites éticos, balizados com apoio de uma associação, a ANPOP – Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade. 

Somos profissionais reconhecidos primordialmente por organizar armários, casas de pessoas com maior poder aquisitivo e, tudo bem, mas, sabemos que vai muito além da estética e que pessoas em menores espaços ou circunstâncias sociais merecem conhecer, acessar e vivenciar esse processo como suporte à uma mudança interna, assim, nos apropriamos do conceito que combina com essa guinada na vida de uma pessoa, “virar”pode começar na relação do ambiente em que elas vivem ou trabalham”, explicam.

 

Na prática – Não só o conceito inspirou as personais, mas, a limitação de horários, recursos e uma enorme vontade de fazer o projeto acontecer fizeram com que elas ampliassem as possibilidades. Hoje, Naila e Talita conduzem suas próprias empresas na área e dispõe de um dia da semana para planejar e um fim de semana por mês para promover uma Virada Organizada. Primeiro, escolhem histórias de ambientes de menor porte e combinam algumas missões com seus personagens, como eleger voluntários entre amigos e familiares. Além disso, a história é filmada e narrada em uma websérie no canal do Youtube com o mesmo nome.

 “O mais interessante é mostrar que por trás do ambiente existe uma história e por trás dela, uma bagunça que podemos eliminar como ponto de partida para o recomeço, mas, precisamos envolver pessoas para apoiar e executar nossas ideias, disseminando técnicas e envolvendo-as emocionalmente. Contando isso nos vídeos, inspiramos profissionais da área e pessoas que querem encarar seus espaços também ”, contam.

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Os “Virados” – Primeiro, o ex piloto aéreo, Daniel Corbani, de São José dos Campos, chamou a atenção das amigas e profissionais ao apresentar seu espaço e compartilhar seus anseios. Depois de abandonar a profissão dos sonhos por questões de saúde, abriu o leque de conhecimentos e atividades e viu sua casa invadida pelas mais diversas referências: ioga, dança, massagem, música, cinema, tecnologia, literatura, gastronomia e, tudo isso, disputando espaço com o filho de oito anos. “Não era acumulo ou volume de itens em si, era a ausência de funcionalidade, tinha uma mesa de jantar no quarto do filho, um piano coberto por outros itens, TV sem ligar e um computador na frente, onde o pequeno assistia à desenhos e as paixões, como livros, longe dos olhos e do momento preferido entre pai e filho”, resumem Naila e Talita.

No mês seguinte foi a vez do Luiz Fernando Calderon, um terapeuta holístico cercado de boas ações e trabalhos voluntários que passou por uma separação e voltou a morar em uma edícula nos fundos da casa dos pais. As organizadoras contam: “queríamos devolver ao Luis a autonomia, o espaço para receber amigos e fazer suas meditações e reuniões espirituais, mas, precisávamos delimitar espaços, já que o local continuou a ser uma espécie de depósito de tudo que “sobrara” da casa dos pais ou outros locais”.

Antes de encerrar o ano foi a vez de empoderar uma mulher em apuros. Kate Zamboni é estilista e fechou seu ateliê na zona leste de São Paulo optando por ser mãe após os 35 anos. Mas, a maternidade da vida real se mostrou bem diferente e ela sentiu uma enorme necessidade de retomar o trabalho após um ano, desta vez, na garagem de casa, onde todo acervo estava disputando espaço. O episódio estreia em dezembro e as profissionais prometem ainda mais uma Virada antes de 2017.

“Até o momento contamos com nossos recursos próprios e muito voluntariado para fazer acontecer, mas, estamos em busca de algum patrocínio ou incentivo para abrir espaço para mais histórias e cidades. Nossos personagens se tornaram amigos entre si e apoiam também nos bastidores, isso, não tem preço”, finalizam, emocionadas.

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